Atrésia do esófago

April 4, 2013 - João Moreira Pinto

8 Comments

Já começou o curso de cirurgia endoscópica em recém-nascidos de que vos falei há dias. A cirurgia minimamente invasiva em bebés tão pequenos exige muito treino em laboratório. É a isso que nos dedicamos no laboratório de ciências cirúrgicas da Universidade do Minho. Uma das cirurgias mais difíceis, mas onde os benefícios destas novas abordagens se sentem mais é na correcção da atrésia do esófago.

Uma em cada 3500-4500 crianças nasce com uma interrupção do esófago – tubo que liga a boca ao estômago. Logo, são crianças que não se podem alimentar. O diagnóstico pré-natal é muito difícil, pelo que geralmente esta anormalia é descoberta à nascença: ou porque a sonda de aspiração não passa até ao estômago durante o exame inicial, ou porque a criança se engasga na primeira vez que se tenta alimentar.

A única solução é cirúrgica e consiste em restabelecer a comunicação do esófago, suturando a porção proximal (a de cima) à porção distal (a de baixo). Na maioria dos casos existe ainda uma comunicação (fístula) entre o esófago proximal e a traqueia, que também tem que ser encerrada. A correcção da atrésia do esófago pode ser realizada por via aberta (toracotomia) ou por ‘furinhos’ (toracoscopia). Esta última tem-se mostrado vantajosa para o doente, em termos de estabilidade hemodinâmica, analgesia (menos dor) e recuperação pós-operatória (mais precoce). Para o cirurgião, a toracoscopia permite uma maior visualização das estruturas em causa, mas o pouco espaço que existe para trabalhar torna-a tecnicamente mais difícil. Existe aqui uma imagem (não aconselhada a impressionáveis) que dá a noção das proporções de que estamos a falar. Daí, a importância do treino em laboratório.

João Moreira Pinto

8 thoughts on “Atrésia do esófago

  • Raquel L

    2013-04-04 at 17:41

    Fascinante e aterrador…
    Fascinante porque se trata de um tema da medicina actual (um sonho que deixei para trás).
    Aterrador de imaginar um filho, com esta condição, a ser sujeito a tal intervenção…

    Mas ainda bem que existe uma solução e bons médicos 😉

    Obrigada pela partilha

    ***

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  • Maria Mar

    2013-04-04 at 17:41

    Boa tarde,

    A minha filha foi operada em Março de 2009 no Hospital do S. joão no Porto pelo Dr. Jorge Correia Pinto. Fez toroscopia e alguns dias depois teve um infecção nos pontos de entrada mas acabou tudo bem. Hoje tem 4 anos e aos pontos de entrada do seu torax chamam-se as medalhinhas da vitória. É bom saber que em Braga estão a ser treinados mais médicos para o bem de tantos meninos/as que nascem com este problema.
    Gostava de deixar uma pergunta: No futuro pode vir a necessitar de uma nova cirurgia ou a correcção vai acompanhando o crescimento ? Muito obrigada, Maria João

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  • Filomena Henriques

    2013-04-07 at 20:49

    obrigada pela partilha!
    A minha filha foi operada no Hospital D.ª Estefânia em finais de dezembro de 2011, um dia após o nascimento, pelo Dr. Paolo Casela, a quem muito agradeço por a minha reguila andar a correr pela casa toda. Não foi detetado durante a gravidez, apenas quando nasceu por não progressão da sonda de aspiração. Foi operada por toracotomia, esteve internada 26 dias, fez sepsis mas no final, tudo correu bem!!!
    de facto tentei informar-se mais sobre o assunto mas pouco encontro, nomeadamente sobre consequências futuras do crescimento.
    Nunca tinha ouvido falar desta anomalia nem que tal podia acontecer, e muito pouca informação tive no hospital onde nasceu, nem quais as consequências imediatas. obrigada por partilhar pois a informação nunca é demais para os futuros pais.

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  • João Moreira Pinto

    2013-04-10 at 19:06

    A crianças operadas a esta patologia têm que ter um acompanhamento próximo pela gastroenterologia pediátrica, pois podem ser necessárias dilatações. Muitos destes doentes poderão também desenvolver refluxo gastro-esofágico. Quer uma quer outra, poderão necessitar cirurgia.

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  • João Moreira Pinto

    2013-04-10 at 19:12

    Ainda bem que correu tudo bem. Felicidades para a sua meninda.

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  • ni81

    2013-07-19 at 22:21

    a minha filha nasceu com atrésia traqueo-esofagica e foi operada por toracoscopia. quando tinha 6 meses teve de fazer dilatações esofágicas devido a uma estenose severa. apenas 3mm de passagem. dilatou para 6mm e depois para 8 mm. entretanto com 9 meses re-estenosou para +/- 5 mm dilatando novamente para +/- 7mm. Tem sido um processo duro mas graças a Deus a minha menina está a evoluir bem e também está a ser acompanhada por uma excelênte médica.

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  • Sandra Repolho

    2013-07-22 at 13:25

    Bom dia,
    estou gravida de 24 semanas e o meu bébé está com o estomago pequeno(colapsado) e estou com liquido abundante. Fiz amniocentese para despistar outras anomalias e o resultado foi animador pois veio tudo negativo. Agora o que me dizem é que o bébé pode ter atresia do esofago ou pode não ter nada. Não sei mais que fazer, estou em constante desespero e ainda faltam 3 meses para o fim da gravidez. Pode o meu filho nascer sem problema algum, posso ter esperança?

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  • Gloria Fortuna

    2015-04-14 at 22:36

    Ola boa tarde eu tive um filho com atresia esofagica a 21 anos no hospital s joao no porto.Quem o operou foi o doutor professor pimenta doutor Costa e silva e doutor Miguel Campos,hoje o meu filho com 21 anos e 1.90 de altura se encontra bem so com um problema de acido a mais no estomago tem q dormir com a cabeceira da cama mais levantada do q os pes se nao o acido sobe e projudica os pulmoes hoje estou aqui para dar o meu testemunho a maes se encontram na situacao q eu me encontrei quero lhes dizer para ter muita forca e coragem porq e lindo ver o nosso filho nascer perfeito e depois ver no hospital a fazer um buraco no pescoso para sair a saliva e outro no estomago p se alimentar.Quero agradecer aos medicos e a deus por fazerem o milagre de hoje eu ter o meu filho a minha veira valeu cada lagrima cada minuto de sofrimento um bem axa bjs

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