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Aqui ninguém toca

November 15, 2016 - João Moreira Pinto

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Por falar em cuecas, lembrei-me de um assunto bem sério que há muito queria trazer aqui ao blogue. Parece-me que a campanha ‘Aqui ninguém toca’ tem caído no esquecimento. Esta regra, transformada em campanha pelo Conselho Europeu, foi criada para ajudar os pais e os educadores a falarem sobre o tema do abuso sexual e pode ser uma ferramenta muito eficaz de prevenção. Dados assustadores: «uma em cada cinco crianças é vítima de alguma forma de violência sexual ou abuso sexual. Pode acontecer a qualquer criança, independentemente do género, idade, cor de pele, classe social ou religião. Os agressores são, frequentemente, pessoas que a criança conhece e em quem confia. O agressor pode ser inclusivamente uma criança.» É um tema desconfortável, mas, pela proteção das nossas próprias crianças, devemos abordar sem complexos. Então, vamos lá. Como ensinar a regra ‘Aqui ninguém toca’?

 

  1. O teu corpo é só teu.

Deve ensinar-se às crianças que elas são donas do seu próprio corpo e que ninguém lhes pode tocar sem a sua autorização. Uma das regras básicas que nós médicos temos é pedir sempre autorização à criança, quando vamos fazer o exame físico. Deveria ser assim com todos os profissionais e educadores que contactam com a criança e têm que ajudar com a ida à casa de banho, por exemplo. E é necessário ensinar-lhes a dizer «Não», se os contactos físicos impróprios. Uma forma de introduzir o tema é com o vídeo da campanhã. A Mão pede sempre autorização a Kiko para lhe tocar, e Kiko dá-lha. Mas quando a Mão pergunta a Kiko se lhe pode tocar por baixo da roupa interior, Kiko responde: «Não!».

 

 

  1. Contacto físico bom e contacto físico mau.

As crianças nem sempre sabem o que é um contacto físico aceitável e um contacto físico inaceitável. Ensine ao seu filho que não deve aceitar que os outros lhe vejam ou toquem nas partes íntimas do corpo ou que lhe peçam para ver ou tocar nas de outra pessoa. Certifique-se de que as crianças sabem pedir ajuda a um adulto de confiança, sempre que tenham dúvidas sobre o comportamento de uma determinada pessoa.

 

  1. Segredos bons e segredos maus.

O segredo é a principal tática dos agressores. É importante ensinar a diferença entre segredos bons e segredos maus e criar um clima de confiança. Todos os segredos que geram ansiedade, desconforto, medo e tristeza não são bons e não devem ser guardados. Pelo contrário, devem ser contados a um adulto de confiança (pais, professores, polícias, médicos).

 

  1. Prevenção e proteção – Responsabilidade dos adulto

Quando sujeitas a abusos, as crianças sentem vergonha, culpa e medo. Os adultos devem evitar criar tabus sobre a sexualidade e garantir que as crianças sabem a quem se dirigir se estiverem preocupadas, ansiosas ou tristes.

 

  1. Outras indicações úteis e complementares à regra “Aqui ninguém toca”

As crianças devem saber identificar quais os adultos que podem fazer parte do seu círculo de confiança. Os agressores utilizam estratégias de aliciamento para ganharem a confiança das crianças. Em casa, a regra de ouro para as crianças deve ser contar aos pais sempre que alguém lhes ofereça presentes, lhes peça para guardar segredos ou tente passar tempo com elas a sós. Ensine aos seus filhos regras simples sobre o contacto com estranhos: nunca entrar num carro com um desconhecido nem dele aceitar presentes ou convites.

 

 

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Estes 5 princípios foram adaptados do website da campanha ‘Aqui ninguém toca’. Lá pode encontrar mais informação sobre a campanha e o pdf do livro ‘O Kiko e a Mão’ que ajuda a ensinar estes princípios lá em casa.

 

 

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João Moreira Pinto

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