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Este vídeo foi proibido em França

December 12, 2016 - João Moreira Pinto

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1. Para enquadrar, «O Governo francês proibiu um anúncio em que várias crianças com trissomia 21 explicam a uma futura mãe que não deve temer pelo facto de o seu filho, ainda por nascer, ter sido diagnosticado com essa deficiência. No vídeo, chamado “Querida futura mãe”, as crianças e jovens falam de tudo o que o seu filho vai poder fazer e alcançar, avisando que por vezes será difícil, mas que isso se aplica a todas as mães de todos os filhos. O curto filme foi feito em 2014 e recentemente foi adaptado a um anúncio para poder passar na televisão francesa, mas o Conselho Superior de Audiovisual naquele país chumbou-o, dizendo que não se enquadrava nos critérios de serviço público, invocando o argumento de que as imagens de crianças com trissomia 21 sorridentes e felizes poderia “perturbar as consciências de mulheres que tinham tomado, legalmente, outras escolhas de vida pessoais”.»

Sobre isto, Maria Joao Marques escreveu no Observador: «parece que todas as crianças são iguais, mas umas são mais iguais que outras. Se a criança tiver síndrome de Down, é bom que apareça na televisão só de semblante circunspecto e triste, preferencialmente a chorar pela desgraça que sobre si se abateu. Mostrar crianças com esta característica e as suas famílias, tudo gente feliz, é algo intolerável numa sociedade civilizada.»  Já antes, Francisco José Viegas escrevera no Correio da Manhã: «Qualquer coisa aconteceu no género humano que transformou as nossas sociedades num pasto para o despotismo e a falta de generosidade. Um mundo que esconde os seus.»

 

Os cidadãos com deficiência parecem não encaixar nos mundos utópicos que alguns imaginam. São estas utopias que levaram alguns estados totalitários varrer os seus cidadãos com deficiência para debaixo do tapete. Não deixemos que isso aconteça.

 

2. A Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) visita a escola dos meus filhos, todos os anos, por altura da campanha do Pirilampo Mágico. Com ela, vêem os tais cidadãos com deficiência. Os miúdos brincam, falam e fazem as perguntas que querem àqueles jovens e adultos tão diferentes daqueles que costumam ver nos outros dias. Sem censura. Sem preconceito. São atitudes contra-corrente como esta que me deixam com esperança no futuro.

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João Moreira Pinto

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