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A ciência que não existe por trás do fidget spinner

May 29, 2017 - João Moreira Pinto

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Vulnerável às febre infantis, a nossa casa (como tantas outras) foi infectada pelo último virus da moda: o fidget spinner. Fidget refere-se ao movimento rápido e repetitivo com as mãos (exemplo, ligar e desligar um botão ou colocar e tirara a tampa duma caneta). Neste ‘brinquedo’ em concreto, fidget refere-se ao acto repetitivo de fazer girar (spin) um trângulo sobre um eixo de rolamentos. Para uma explicação mais científica do que esta recomendo um vídeo do Ricardo Araújo Pereira , já que esta é toda a ciência que se pode extrair deste novo brinquedo.

 

Explico. A imprensa tem anunciado este brinquedo irritante como um bálsamo para a ansiedade infantil. Exemplos de títulos: «Conheça o dispositivo para ajudar crianças com autismo que virou febre nas escolas (BBC)», «Brinquedo da moda com funções terapêuticas até já tem revista (DN)». Mas basta uma investigação superficial na Internet para descobrir o equívoco: «University of California, Davis professor Julie Schweitzer’s study, which was published in the June 2015 issue of Child Neuropsychology: A Journal on Normal and Abnormal Development in Childhood and Adolescence and publicized in The New York Times, is the one many people point to in their defense of fidget tools. In the study, Schweitzer found that letting hyperactive children fidget allows them to concentrate better. “This has become the chapter and verse for evidence that [fidget tools] help kids with ADHD,” explains Palladino. (RealSimple

 

Este estudo publicado em 2015 na revista Child Neuropshycology e que é citado por muitas fontes, deve ter sido usado pelos fabricantes dos fidget spinners para publicidade mas nunca lido pelos próprios autores. E bastava ler: «While there are currently tools on the market (e.g., fidget toys) that allow individuals to fidget without disrupting others, there has not been extensive research on their efficacy. Our findings also suggest that limiting movement in children with ADHD may potentially be detrimental to their cognitive performance.» Ou seja, restringir os movimentos de crianças com distúrbios de hiperactividade défice de atenção (ADHD) é prejudicial mas não há até hoje estudos que provem a a eficácia dos brinquedos de fidget.

 

Logo, não há ciência que apoie estes brinquedos como forma de terapia. São apenas brinquedos. É só isso.

 

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João Moreira Pinto

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