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Os medicamentos são apenas uma parte do tratamento da asma

May 25, 2017 - João Moreira Pinto

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O Dr. Egas Moura é um dos pediatras com quem trabalho há mais tempo. Fez o enorme favor de me escrever um texto para o qual não me sentia minimamente preparado mas que era uma das requisições habituais dos leitores aqui do blogue. O Dr. Egas é pediatra no Centro Clínico da Maia e na Clínica Médica dos Canaviais (Vila Nova de Gaia). Tem dois filhos já adultos, um rapaz com 21 anos e uma rapariga com 22 anos. Começou recentemente a escreve num blogue com informação muito útil para pais: maismaismedicina.

 

Asma Brônquica

Egas Moura

 

A asma é a doença (inflamatória) crónica das vias aéreas inferiores mais comum em idade pediátrica em todo o mundo. A asma está associada a obstrução variável do fluxo aéreo e híper reactividade brônquica. Apresenta-se com episódios recorrentes de sibilância, que pode ser traduzida em pieira, tosse, dispneia e aperto torácico.

A prevalência na população infantil é de cerca de 15%. No entanto, as doenças alérgicas em geral e, em particular, a asma têm vindo a aumentar em número e gravidade nos últimos anos. O controlo dos sintomas vigentes e o risco futuro devem ser os objectivos clínicos.

 

Factores de risco

Existem factores hereditários e factores desencadeantes. Relativamente aos primeiros, verifica-se o dobro de incidência nas crianças descendentes de famílias com antecedentes alérgicos (rinite, conjuntivite, eczema, alergias alimentares, etc.). Os factores desencadeantes das crises podem ser variados, nomeadamente os alergénios (como os procedentes de ácaros do pó, pólenes, fungos e pelo dos animais), os agentes irritantes (como o fumo do tabaco e da lareira e os sprays), as infecções respiratórias (virais), o exercício físico, as emoções fortes, as substâncias químicas irritantes e alguns fármacos.

 

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[fonte: guiamedica.hn]

 

Clínica

Muitas crianças com sibilância na primeira infância resolvem a sua patologia. No entanto, os lactentes com sibilância recorrente têm um risco aumentado de desenvolver asma persistente, e as crianças atópicas têm maior probabilidade de manter a sibilância e desenvolver asma persistente. A gravidade e frequência dos sintomas durante os primeiros anos de vida e a presença de atopia estão fortemente relacionados com o prognóstico.

Clinicamente, exprime-se por episódios de dispneia (falta de ar), de pieira (chiadeira) com dificuldade respiratória, tosse e aperto torácico. É importante, no entanto, pensar que nem tudo o que pia é asma, sendo, por isso, necessário excluir outras doenças que causam dificuldade respiratória.

Para diagnosticar asma, deve confirmar-se a presença de sintomas recorrentes de obstrução reversível das vias aéreas, e excluir outras patologias.

As crises podem ter sintomas prodrómicos, que podem ir desde o prurido (nasal, mentoniano, orofaringe ou ocular), lacrimejo, obstrução nasal, espirros – crises esternutatórias, tosse seca e eventualmente o agravamento do eczema atópico pré-existente.

Numa etapa seguinte a doença pode manifestar se com os sinais de dificuldade respiratória (bradipneia expiratória, dificuldade em deitar o ar para fora), respiração sibilante audível, bloqueio do tórax em inspiração forçada, tosse seca irritativa e sensação de opressão torácica. A criança pode adoptar a posição de sentada inclinada para a frente, apoiada nas mãos (posição que permite uma maior eficácia dos músculos acessórios da respiração). Esta sintomatologia pode se acompanhar de diminuição da actividade física que nos casos extremamente graves pode levar à incapacidade de falar com discurso entrecortado e lento.

Os sintomas ocorrem mais habitualmente à noite ou no decurso de actividade física e/ou exposição a alergénios (conhecidos ou desconhecidos). As crises variam de frequência dependendo da gravidade do quadro e da eficácia terapêutica.

Para além da clínica, existem exames auxiliares no diagnóstico da asma, que compreendem a radiografia pulmonar, os chamados “marcadores de alergia” e o estudo funcional respiratório.

A asma pode ser diagnosticada em qualquer idade, embora em lactentes e crianças mais jovens o diagnóstico possa ser inconclusivo durante algum tempo, devido a uma maior frequência de quadros de obstrução brônquica semelhantes à asma.

 

Tratamento

A abordagem da asma inclui todos os elementos necessários para atingir o controlo: Educação do doente e dos seus pais; Identificação e evicção de desencadeantes; Uso de terapêutica apropriada com um plano bem estruturado (incluindo imunoterapia específica em casos seleccionados); Monitorização regular.

A prevenção dos sintomas, para além de diminuir a necessidade de recorrer aos serviços de urgência e de internamento, permite que a criança tenha uma actividade diária normal. No tratamento da asma a longo prazo a via inalatória deve ser preferida, sendo necessária uma participação activa por parte dos pais ou educadores da criança.

Esta via tem vários benefícios, como sendo um início de acção mais rápido, permitir dosagens de medicamentos mais baixas e ter menos efeitos secundários. A imunoterapia (vacinação) por via oral ou através de injecção subcutânea é um processo lento de imunização que consiste na administração de doses crescentes do alergénio ao qual o indivíduo é sensível, induzindo o chamado “estado de tolerância clínica” face ao alergénio administrado. Este tratamento deve ser sempre realizado sob vigilância médica e habitualmente mantém-se por 3 a 5 anos.

 

Que conselhos daria aos pais de uma criança asmática?
É assim importante lembrar que o tratamento farmacológico é apenas uma parte do tratamento da asma e que é importante evitar factores desencadeantes como tabagismo, poluição atmosférica, infecções respiratórias assim como evitar alergénios como ácaros, pelos e penas de animais domésticos, pólens e determinados alimentos. Não esquecer que a educação do doente asmático envolve sempre a família e que se deve tentar conseguir a melhor qualidade de vida para a criança.

 

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João Moreira Pinto

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