6 pecados dos pais em relação aos desporto

Dada a paixão louca do meu mais velho pela pratica desportiva, tenho andado atento a um novo tema: a educação para o desporto e, dentro deste, à psicologia do desporto: lidar com a frustração (mas também com o sucesso), manter o entusiasmo, incentivar o espírito de equipa, etc. O JM gosta mesmo muito de desportos. Tem futebol na escola, vai uma vez por semana à natação e ainda pratica hóquei em patins ao fim-de-semana. Sempre que tem hipótese salta para a bicicleta, desce rampas de skate e pede férias ‘no surf’. Como pais, sentimos que devemos deixá-lo experimentar os desportos todos a seu belo prazer, mas (1) não queremos que ande sempre a saltar de moda para moda, (2) sentimos que a natação é ‘obriigatória’ para quem vive junto ao mar e (3) queremos que o desporto seja uma actividade construtiva/positiva do seu dia-a-dia, que lhe traga benefícios físicos e de carácter.

No Yahoo Parenting, encontrei um texto que serve bem para início de conversa. O texto foi escrito por dois irmãos, Lisa e Patrick Cohn, que mantêm um blogue chamado Youth sports psychology e são basicamente os 6 erros (eles chamam-lhes pecados) praticados pelos pais de jovens desportistas. Passo a uma tradução livre e resumida dos mesmos.

[fonte: multiplemayhemmamma.com]
1. Os pais acham que os filhos preferem vencer acima de tudo. É mentira. Entre perder e jogar o tempo todo ou vencerem mas jogarem pouco tempo, as crianças preferem o que dure mais tempo, o que envolva mais amigos e mais diversão. Como muitas vezes dizemos (e parece que deixámos de acreditar): «ganhar ou perder, o que interessa é participar».

2. Os pais acham que equipas mais exigentes (mesmo que pela distância, pelo custo monetário ou pelo tempo despendido) são as que garantem mais sucesso às crianças. É mentira, as equipas mais exigentes com as crianças não preparam os melhores atletas, porque a taxa de desistência por cansaço é maior. As viagens podem ser extenuantes. A obsessão com ‘a melhor equipa’ pode amedrontar ou até desmotivar a criança que só se quer divertir.

3. Os pais tendem a alimentar as superstições. É errado. Alimentar crenças como ‘só ganho se tiver vestida aquelas meias verdes ‘ transfere a responsabilidade do sucesso (ou insucesso) para algo exterior às capacidades da criança. Os pais devem focar e criar confiança nas capacidades que a sua criança tem, independente da cor das meias.

4. Os pais tendem a lembrar as crianças dos erros que cometeram. Embora a intenção possa ser nobre, não se deve insistir no que correu mal no jogo anterior. Antes, deve-se insistir no que correu bem. A criança tem já por si dificuldade em ultrapassar os seus erros e as suas frustrações. Lembrá-los disso faz com que bloqueiem, preocupados em evitar o próximo erro, em vez de progredir com espontaneidade nos passos em que são certeiros.

5. Os pais não confrontam os treinadores que gritam e humilham. Não devemos tolerar isto. O feedback negativo do treinador mina a auto-confiança das crianças e a consequência é muitas vezes a desistência. Há pais que têm receio de represálias sobre as crianças e se retraem de chamar os treinadores à razão. As crianças não são adultos pequenos.

6. Os pais focam-se demasiado em objectivos como bolsas e vitórias. Mas isto é colocar a pressão nas crianças pela razão errada. As crianças devem ser incentivadas a praticar desporto pelo prazer do momento. Isto significa concentrarem-se na próxima jogada, arriscarem, sentirem-se felizes e confiantes, get in the zone.

Estes seis pontos foram escritos face à realidade americana, mas penso que facilmente se transpõem na nossa realidade. Se em Portugal pecamos, é por excesso. Um dia caí no erro de assistir um treino de futebol dos escalões mais novos Boavista. Foi numa das primeiras visitas que fiz com o JM ao estádio do Bessa. O que vi não foi um treinador a gritar e a humilhar as crianças. Foram pais a berrarem para dentro do campo, furiosos com os filhos e com os colegas dos filhos, a insultarem o treinador e outros pais que assistiam ao treino, várias ameaças de pancada. Virei costas. Não ficámos para ver.

Como é uma área que ando a explorar recentemente, gostava mesmo de saber o que acham destes ‘pecados’ e que dicas dariam sobre o tema.

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João Moreira Pinto

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