6 razões para não gostar do Pai Natal

Apesar de não ser radical, já disse aqui que não nutro especial simpatia pelo Pai Natal e explico porquê. Primeiro, ninguém sabe exactamente quem ele é. Será ele São Nicolau, bispo cristão do século IV, que vivia em Myra (cidade da actual Turquia)? Será ele Odin, figura da tradição pagã germânica? Ou será ele uma das tantas outras variações de tradições holandesas, escandinavas e anglo-saxónicas? Como pode um pai deixar que a sua criança se sente ao colo de uma gordo barbudo que ninguém sabe bem quem é?

Segundo, é uma mentira. Mentir é feio, lembram-se? Na qualidade de filho mais novo, cedo soube que o Pai Natal que nos visitava na escola era uma farsa. Pior, todas crianças (e adultos) tinham que alinhar na farsa, se queriam ter o tão desejado presente. Que raio de exemplo damos aos nossos filhos quando lhe enfiamos uma mentira deste tamanho e, pior, os obrigamos a ser cúmplices dela por gerações e gerações futuras.

Terceiro, que raio de chantagem é esta? Porta-te bem, se não o Pai Natal não te traz um presente? Bolas. Porque é que é o Pai Natal a fazer esse julgamento? Porque não o pai e a mãe? Eles é que estão comigo (criança) todos os dias. Eles dar-me-ão um presente, se eu merecer, ou me castigarão, se me portar mal. É estúpido, os pais descartarem-se desta função e passá-las para um terceiro.

Quarto, alimentamos demasiado precocemente o instinto consumista dos nossos pequenos. Todos os anos, lá vem a pergunta: o que vais pedir ao Pai Natal? É a bicicleta, o joguinho, o fato do homem-aranha. Nunca é um jantar com o tio que está longe, um passeio com os pais a um sítio especial, uma música juntos. Tudo o que a criança quer é possuir, porque são os exemplos que lhe damos.

Quinto (consequência do quarto), a pressão económica sobre as famílias torna-se insuportável. É o presente do filho, do primo, do afilhado. Se se estender aos graúdos, há a mãe, o pai, o tio, a madrinha, a avó, aquele amigo que nos fez um favor, o outro que desenrascou qualquer coisa. Por aí fora. É um sufoco, quando a época deveria ser libertadora.

Finalmente, o Pai Natal relega para segundo plano, Aquele que é para mim a personagem principal. Nasceu o Menino Jesus e as crianças só pensam no Pai Natal, na prenda que ele vai trazer, se o sapato está alinhado com a chaminé, se ele é suficientemente grande para caber tudo o que pediram. Cristãos ou não, acho que é óbvio para todos que estamos a substituir celebração da vida (neste caso de Cristo), da liberdade (para quem acredita que ele traz a Mensagem), do Amor e da Família, pelo consumo desmesurado, pelas corridas aos shoppings, pelas filas da caixa, pelos insultos no trânsito, pela prisão ao crédito. Culpa do Pai Natal!

[fonte: motherjones.com]

João Moreira Pinto

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