Alergia às Proteínas do Leite de Vaca – a nossa história

A Marta Coelho é amiga cá de casa. É arquitecta e, como perceberão pelo texto, tem um filho quase da mesma idade do JM. A Marta e a nossa Mãe viveram a aventura de uma primeira gravidez juntas, o que daria uma série de posts engraçados. A encomenda que fiz à Marta foi de um testemunho na primeira pessoa da sua experiência como Mãe de um filho com Alergia às proteínas do Leite de Vaca (APLV). Achei que era altura de trazer ao blogue os conselhos de Mãe para Mãe que tantas vezes superam o que os médicos têm para dizer. Neste texto há recomendações de websties, bolachas e doces especiais e até uma receita de bolo de chocolate. Tudo para contornar a APLV.

Alergia às Proteínas do Leite de Vaca – a nossa história
Marta Coelho

Chamo-me Marta, sou casada, arquitecta de profissão e mãe de um menino desde Maio de 2010. O meu filho, já com quase quatro anos tem Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV)… Como sei por experiência própria, a Alergia Alimentar pressupõe uma aprendizagem sobre o tema, pois as mães numa fase inicial não sabem o que fazer e as dúvidas são tantas que se sentem à deriva. Por isso, aqui vos conto um pouco da história de aventuras que eu e o meu filho passamos desde os seus primeiros meses de idade e que ainda hoje perduram.

Tinha o João cerca de 3 meses quando descobrimos a alergia… a partir dessa data, tudo mudou! Por indicação médica, uma vez que o leite materno não era suficiente para as necessidades alimentares do meu filho, introduzimos o suplemento alimentar. Não era a primeira vez que o tomava. Já antes, com poucos dias de vida, tinha-lhe sido oferecido leite, que não o materno, no hospital onde o tivera. Mas nessa altura nada tinha acontecido. Foi em casa, aos 3 meses, que ao alimenta-lo com leite que não o meu, vi o corpo do meu filho ficar todo vermelho, tipo um escaldão do sol… No dia a seguir voltei a dar-lhe o suplemento e passado 5 minutos ele ficou muito pior que a noite anterior. Foi então que o médico suspeitou da APLV! Aos 6 meses realizou-se exames ao sangue, IGE específico ao leite, confirmando a ALERGIA.

A verdade é que esta notícia foi um choque. Não sabia como reagir, o que pensar. O médico foi ajudando: orientou para o tipo de leite adaptado que o João deveria tomar, e no processo de diversificação alimentar, disse-me como escolher as papas, bolachas e iogurtes para o meu filho. Nomeadamente para ler sempre os rótulos dos alimentos, medicamentos, cremes, etc pois existia a possibilidade de ele ser alérgico a outros tipos de alimentos para além do leite e, mais tarde uma possível necessidade de dessensibilização alimentar quando este fosse um pouco mais velho.

À medida que o João crescia não podia comer nada com leite ou sequer com vestígios. Durante a nossa a aprendizagem descobrimos que o meu filho fazia alergia de contacto. É um menino que não pode ser beijado ou tocado com mãos que não sejam previamente bem lavadas! Mais tarde, com 1 ano e meio, o João fez uma reacção anafilática. Esta, é do ponto de vista da doença alérgica a reacção mais grave e ameaçadora da vida que algúem pode ter. Nunca descobrimos o que a desencadeou, mas descobrimos neste contexto, com novos exames ao sangue que este era também alérgico ao ovo, à amêndoa e ao pêlo de cão e gato. Devido à gravidade da alergia, passou a usar um Kit de Emergência com anti-histamínico, corticóide e uma caneta de adrenalina, que o acompanha sempre para todo o lado que ele vá, na sua mochilinha.

Os primeiros meses após a descoberta da alergia foram marcados por momentos angustiantes, assustadores e muitas dúvidas… desde a descoberta de produtos sem leite, à aventura do supermercado em ler todos os rótulos (alimentação, cremes, shampoos, medicamentos) ao convívio com as outras crianças, os baloiços, o cinema, as festinhas de aniversário e, claro, o grande dilema, A ESCOLA.

Hoje, o João tem quase 4 anos e continua altamente alérgico. Mas, é de notar que é uma criança muito feliz!!! Não se sente diferente das outras crianças e muito menos excluído. Aceita, respeita e tem consciência das suas restrições alimentares porque enfrentámos o problema de uma forma natural, transparente e frontal. O facto do João também estar a crescer ajuda muito: o João encara a doença com naturalidade e sem qualquer tipo de revolta. É uma criança normal afinal de contas. E sei que é assim que se sente. Actualmente encontra-se a fazer dessensibilização ao ovo. É uma festa para ele sempre que come um pedacinho de ovo cozido. E para nós também…

Existem imensos produtos para este tipo de crianças desde bolachas, chocolates, iogurtes, bebida de soja de vários sabores, queijos vegan, gomas, rebuçados, pipocas, batatas fritas, salsichas, fiambre, pão, gelados, etc. O João é uma criança que come de tudo, croissants, natas, bolos, gelatina, gelados, quiche, empadas, etc… não existe nada que ele não coma!!! Bem entendido, desde que não contenha leite ou vestígios, bem como produtos com ovo e frutos secos. Claro que muitas das coisas são cozinhadas em casa!!!

Por exemplo estas são as bolachas que o João adora e são bastante económicas (sem leite, sem ovos e frutos secos)!!!!

Só quem vive de perto esta doença é que percebe o “drama” e a “gravidade” da APLV. É entrar num mundo desconhecido e a princípio assustador. Hoje aprendi a conviver com as dificuldades… e tornou-se comum e normalíssimo! Os nossos pequenos são crianças normais que precisam somente de mais alguns cuidados especiais baseados essencialmente na prevenção… O seu dia-a-dia tem de ser planeado para não sermos apanhados de surpresa.

A ida para algum lugar – para a escola, passeio, a casa de algum amigo –  pressupõe levar sempre a alimentação de casa, um sabão adequado para o lavar em caso de contacto acidental com algum alergénio, uma fralda de pano para o limpar, levar sempre água límpida e o kit de emergência médica com instruções de utilização.

Aqui vai uma receita óptima de bolo de chocolate sem leite nem ovos: 3 Chávenas (chá) de farinha com fermento; 2 Chávenas (chá) de açúcar; 1 Chávena (chá) de chocolate em pó; 1 Chávena (chá) de óleo; 2 Chávenas (chá) de água morna; 1 Colher (sopa) de fermento. Para a calda: 2 Colheres (sopa) de açúcar; 2 Colheres (sopa) de chocolate; 2 Colheres (sopa) de água; 1 Colher (sopa) de margarina (marca Alpro).

Com uma colher de pau misturar todos os ingredientes secos peneirados. Acrescentar os ingredientes líquidos e misturar muito bem. Forrar uma forma com papel vegetal. Quando cozido o bolo retirar e regar a calda por cima e peneirar com açúcar em pó.

Por experiência pessoal, descobri que o Hipermercado Continente tem alguns produtos adequados à alimentação de crianças com alergia ao leite de vaca, designada pela “Área Viva”. Igualmente a própria marca “Continente” inspira muita confiança porque estão muito bem catalogados.

Para quem estiver interessado em procurar apoio mais específico dos profissionais de saúde, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto  (FMUP) promove uma palestra denominada “O essencial sobre a Alergia Alimentar”, no dia 11 de Abril.   A entrada é livre mas a inscrição é obrigatória e deve ser realizada através do site http://caa2014.weebly.com/inscriccedilotildees.html.

Coloco-vos aqui também alguns sites úteis com todo o tipo de produtos:
http://www.alpro.com/pt
https://www.plamilfoods.co.uk
http://www.efeitoverde.com
http://www.celeiro-dieta.pt
http://vista-se.com.br/redesocial/surpreenda-sua-mae-com-um-lindo-bolo-sem-ovos-7-bolos-veganos-de-cair-o-queixo/

João Moreira Pinto

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