Brincadeiras ao Sol (I)

Se é verdade que sair de casa e apanhar ar faz bem (aos pais e aos pequenos), também o é que a exposição ao Sol acarreta riscos e, logo, cuidados acrescidos. Para além das queimaduras solares, os raios UV provocam alterações degenerativas na pele que levam ao envelhecimento precoce da mesma e, no limite, ao aparecimento de cancro. Os autores mais fundamentalistas, proíbem qualquer exposição ao Sol a menores de 2 anos e ponto. Não sejamos inocentes, todos nós brincámos ao Sol e poucos de nós estamos na disponibilidade de privar os nossos filhos dessa alegria (mesmo nos menores de 2 anos). Não falo aqui do ‘tostar ao sol’, esparramado numa toalha como fazem os adultos (erradamente, diga-se), mas sim daquelas brincadeiras no jardim, na piscina insuflável, numa ida à praia, que, em dias de Sol tão bem sabem. Então, o que podemos fazer para reduzir os malefícios da exposição solar sem cair em exageros?

Para além das recomendações clássicas: evitar alturas em que o Sol está mais alto (as horas em que as suas radiações estão mais perpendiculares à Terra são as horas mais perigosas), usar chapéu com abas largas ou boné (pois protege a face e os olhos), oferecer água (para evitar a desidratação), usar roupas frescas (pois elas próprias servem de filtro às radiações solares), é importante o uso dos cremes protectores solares. Antigamente, nenhum protector solar estaria recomendado a crianças menores de 6 meses. Apesar da Associação Americana de Pediatria ter já emitido um parecer contrário em 1999, muitos médicos (e claro está, muitas páginas na Internet) mantêm essa proibição. As crianças menores que 6 meses podem (e a meu ver devem) sair à rua nos dias de Sol. Não devem ser expostas directamente ao Sol, mas, uma vez que é praticamente inevitável isso acontecer, é bom protegê-las com um protector solar. Assim, nas zonas expostas deve ser colocado um creme protector 100% mineral.

Passo a explicar. Existem dois tipos de cremes protectores: uns de filtro físico (ou mineral) e outros de filtro químico. Os primeiros são constituídos por partículas de zinco e titânio e funcionam como película reflectora,  ou seja, é como revestir a zona exposta ao Sol por um espelho que reflecte raios solares, impedindo que eles penetrem nas camadas mais profundas da pele do bebé. Dada a sua composição, estes cremes protectores minerais são difíceis de espalhar e deixam uma camada branca indisfarçável. Não é o mais apetecível para os pais, mas, se a pele do bebé não ficou branca, o creme não está lá em quantidade suficiente.

Os outros tipos de cremes, com filtros químicos, exigem que haja a absorção de uma substância química pela pele e se proceda a uma reacção que altere essa substância numa outra com capacidade de absorção das radiações UV. A necessidade de colocar 20-30 minutos antes da exposição solar prende-se com esta necessidade das reacções químicas acontecerem previamente. De qualquer forma, estas reacções parecem não acontecer (ou acontecer de forma pouco eficaz) em crianças menores de 2 anos, pelo que o uso destes protectores nestas idades não funciona (ou pode não funcionar tão bem). Acresce a isto o facto de a absorção de substâncias químicas poder levar à irritação da pele das crianças mais pequenas ou das que têm peles mais sensíveis. Existem cremes que, para além de filtros químicos, incluem filtros físicos, para alargar a sua protecção. Resumindo,

  • Bebé <6 meses: proteger com creme 100% mineral nas zonas expostas e evitar ao máximo a exposição directa ao Sol.
  • Bebé entre os 6-12 meses: proteger com creme 100% mineral todas as zonas expostas.
  • Criança entre 12-24 meses: proteger com creme 100% mineral ou creme misto (filtro físico e filtro químico). Lembre-se que tem que ter zinco ou titânio na sua composição, pois (como visto acima) são estes que compõem a barreira reflectora mais eficaz.
  • Apartir dos 2 anos: creme misto ou de filtro químico.
Como existe algumas dificuldade em conseguir perceber quais são os 100% creme minerais, deixo aqui as imagens de alguns. Geralmente só se encontram nas farmácias ou parafarmácias, mas são a melhor escola até aos 2 anos.

 

 
 

Quatro notas finais: 1) Nenhuma crianças em qualquer idade (refiro-me também às ‘crianças’ adultas) devem passar longos períodos ao Sol, pois existe sempre alguma penetração dos raios UV, cujos efeitos nefastos acumulam ao longo do tempo. O acto de ‘forçar’ o bronzeado, para além de fora de moda é um acto destructivo para a pele e com riscos altíssimos de desenvolvimento de cancro. A exposição ao Sol deve ser sempre momentânea: um jogo de futebol, uns mergulhos na piscina, um passeio junto ao mar. Em todos os outros momentos, o Sol pode e deve ser aproveitado à sombra ou com uma peça de vestuário fresca vestida e (mais uma vez) protegendo as zonas expostas com creme protector solar. Para informações completas e exaustivas sobre consequências e modo de prevenção da expsoição solar em crianças, aconselho este artigo do Pediatrics (em inglês).

2) Os índices de protecção UV indicam o grau de absorção destas radiações por cada um dos cremes protectores. Escolher um com factor menor que 30 escolher um protector fraco. Qual é o objectivo? Se o objectivo é proteger-se (a si e aos seus filhos) escolha um protector 30 ou 50

3) Não havendo um estudo comparativo entre diferentes tipos de protectores solares, não estou em condições (científicas) de recomendar um protector em relação a outro. No entanto, se a pele do seu filho é sensível e/ou atópica evite cremes perfumados. O perfume é conseguido à custa de álcoois (ou derivados) que costumam ser irritantes para a pele.

4) As brincadeiras ao Sol (II) vem na terça-feira, pela mão de um Convidado Especialista, que nos virá falar de óculos de sol: quando comprar, como comprar, etc.

João Moreira Pinto

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