Como destralhares o quarto dos teus filhos?

A convidada especialista desta semana é a Rita Domingues. A Rita é bióloga marinha e investigadora pós-doutorada na Universidade do Algarve. É mãe de dois rapazes o G. (8 anos) e o B. (7 anos). É a Busy Woman por trás de um dos melhores blogues portugueses, o The Buzy Woman and The Stripy Cat, onde escreve sobre o seu modo de vida minimalista, a forma como menos nos pode trazer muito mais às nossas vidas e dá sempre dicas muito úteis sobre este e outros temas. Achei que a Rita seria a pessoa ideal para nos ajudar a destralhar os quartos dos nossos filhos (e, com eles, as nossas próprias vidas), tema que vem mesmo a calhar nesta altura do ano. O texto está perfeito e o método resulta. Como a Rita me enviou o texto no final da semana passada, cá em casa, dedicámos a tarde de Domingo a destralhar o quarto dos miúdos. Enchemos dois grandes sacos de brinquedos (um, os irrecuperáveis, para o lixo; e outro, os quase novos, para terem destino melhor no DIa de Reis). Só assim conseguimos espaço para a quantidade de presentes que receberam no Natal.

[fonte: nbclosangeles.com]

Como destralhares o quarto dos teus filhos?
Rita Domingues

A semana entre o Natal e a Passagem de Ano é, para muitas pessoas, um período de reflexão. Por esta altura olhamos para trás, para o que fizemos, o que aprendemos, o que errámos, e olhamos para a frente, entusiasmados com o Novo Ano que aí vem, fazendo imensos planos e elaborando resoluções que vão tornar a nossa vida fantástica. Estas resoluções, no entanto, raramente são cumpridas, basicamente porque o nosso córtex pré-frontal não está preparado para lidar com a enorme força de vontade que é necessária para levar as resoluções a bom porto.

Devemos, sim, fazer uma coisa de cada vez – e começar o Ano Novo com um destralhamento! Destralhar não só a casa, mas também a nossa vida, dá-nos mais espaço físico, mental e emocional para lidar com coisas mais complicadas e exigentes – como as resoluções de Ano Novo ou outros objectivos pessoais e profissionais que queiramos atingir.

Assim, o que proponho em primeiro lugar é fazeres um destralhamento à tua casa. Não precisas de fazer tudo num só dia. Se te sentires assoberbado, podes destralhar e arrumar apenas uma gaveta por dia. O importante é teres em mente que o espaço físico à nossa volta condiciona o nosso estado de espírito e, portanto, o destralhamento da casa é um processo que deve ser prioritário e repetido com a frequência necessária.

Para começar, pega em dois sacos, percorre a tua casa, olha em redor de forma crítica e desapegada, e decide rapidamente se precisas de todos esses bibelots, recordações, molduras, etc. Coloca num dos sacos tudo o que já não estiver em condições para ser usado, ou seja, tudo o que for lixo, e no outro saco as coisas que podem ser vendidas ou dadas, como livros que já não vais mais ler. Os objectos que decidires manter devem ter um lugar específico para serem guardados. Se alguma coisa não tem lugar é porque não é precisa.

Pode ser difícil desapegares-te emocionalmente das coisas, mas lembra-te que não são as coisas que temos que definem quem somos. As nossas recordações estão em nós e não nas coisas. Tem isto presente quando estiveres a pensar no destino a dar a uma prenda de Natal de que não gostas ou não te faz falta; não a mantenhas porque não queres ofender o presenteador.

Depois de destralhares a tua casa e de teres envolvido os teus filhos neste processo, quanto mais não seja como espectadores, ocupa-te do quarto deles. Se os teus filhos tiverem idade suficiente, dá-lhes os dois sacos ou caixas. Explica-lhes que eles não precisam de tantos brinquedos e poderão dar alguns com que já não brincam a outros meninos que não têm brinquedos. Tudo o que estiver partido, estragado e não dê para aproveitar, é para ir fora. Pode ser difícil para os miúdos escolherem brinquedos para dar; se assim for, faz o destralhamento por eles. O mais provável é eles não se lembrarem de todos os brinquedos que têm e, por isso, não sentirão a sua falta.

Depois de destralhares a casa e de respirares de alívio por teres agora um espaço mais liberto e arejado (figurativa e literalmente), destralha a tua vida. Elimina compromissos que não te interessam para teres mais tempo para coisas mais importantes. Aprende a dizer não. Define as tuas prioridades. Elimina tudo o que não se enquadra na tua visão de vida. Torna-te implacável e rejeita tudo o que te suga o tempo. Preocupa-te em primeiro lugar contigo, arranja tempo para ti, para as tuas coisas, e não dês desculpas para não viveres a vida que queres e que está ao teu alcance. Ao fazeres isto, tornar-te-ás uma pessoa mais plena e serena – e só assim poderás tornar mais felizes os outros à tua volta…

João Moreira Pinto

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