Correcção de hérnia inguinal sem cicatriz na criança

Quem me segue o facebook, sabe que tive envolvido na organização do VIII Congresso Nacional de Cirurgia Minimamente Invasiva, em Viana do Castelo, e nas Jornadas de Cirurgia Endoscópica Avançada, no Porto. Em ambos, acabei por ser palestrante também. Falei sobre técnicas novas para a correcção de hérnias sem cicatriz na criança. Sobre as hérnias epigástricas, já escrevi aqui, aquando da publicação da técnica no Hernia. Pelo que, agora recupero o tema das hérnias inguinais.

Há um texto mais exaustivo do que são as hérnias inguinais da criança, a forma de as identificar e reduzir aqui no blogue. Muito resumidamente, existe uma abertura a nível inguinal (virilha) onde pode entrar gordura, intestino, líquido intrabdominal (hidrocelo comunicante) ou ovário (na menina), que é necessário encerrar. O tratamento, que é sempre cirúrgico, tem sofrido uma evolução incrível nos últimos anos. Aparecem cada vez mais artigos a defenderem uma abordagem laparoscópica, isto é, através da introdução de uma câmara pelo umbigo e instrumentos que entram pela pele, sem ser necessário abrir uma ferida cirúrgica propriamente dita. Logo, e para ser completamente honesto, existem cicatrizes sim, mas elas são invisíveis. Uma vez que a única ‘abertura’ é feita pelo umbigo (a nossa cicatriz natural), as vantagens estéticas são evidentes.

Cicatriz após correcção de hérnia inguinal bilateral por via aberta (à esquerda) e por via laparoscópica (à direita).

Mas a maior vantagem é o facto de ao colocamos uma câmara pelo umbigo e vermos os dois lados, isto é, vermos se existe apenas a hérnia só de um lado ou dos dois e tratá-las simultaneamente. De facto, havia muitas crianças que eram operadas a um lado e, meses ou anos depois, apareciam novamente com hérnia do outro lado, o que obrigava a nova cirurgia. Com a laparoscopia, evitamos esta segunda cirurgia, em até 15% dos doentes.

Para além da vantagem estética e de evitarmos segundas cirurgias, existem as outras duas vantagens clássicas associadas à laparoscopia: menos dor e menos complicações da ferida operatória (infecções, deiscências ou cicatizes inestéticas). Por isso, estou seguro que, um dia, este tornar-se-á o tratamento padrão para todas as crianças.

 
Termino com uma série de imagens das Jornadas da Vanguarda da Cirurgia Endoscópica. Para além de um leque de conceitoados cirurgiões e pediatras, tivemos a presença dos psicólogos Prof. Clementina Almeida Dias e Prof. Eduardo Sá. É que ser minimamente invasivo não se cinge ao acto cirúrgico. Abrange todo o bem-estar que oferecemos, o contacto humano e uma hospitalização serena e segura das crianças. Voltarei a este tema.

João Moreira Pinto

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