Dia da Circuncisão de Cristo

Oito dias após o seu nascimento, e segundo a tradição judaica de seus Pais,  o Menino Jesus foi circuncisado. Sim, o Menino foi amputado do seu prepúcio, naquele que viria a ser o primeiro dia do ano, segundo o calendário Gregoriano.

Segundo a wikipedia, a Igreja Católica celebrava esta data como Dia da Circuncisão de Jesus Cristo, até ao sećulo XV. Apartir desta data, passou-se a celebrar o Dia do Santo Nome de Jesus. A verdade é que, no tempo em que nasceu Cristo, os meninos só recebiam nome no dia da sua circuncisão. A celebração do Dia Mundial da Paz é recente. Começou em 1974, com o Papa Paulo VI.

 [Circumcision of Christ. Menologion of Basil II; fonte: wikipedia.org]

Julgo não ser novidade nenhuma que existem várias religiões que continuam a fazer circunicisão aos meninos, seja no período neonatal, seja mais tarde, antes da adolescência É, para todos os efeitos, um procedimento invasivo e que acarreta riscos para a criança. São eles: infecção, hemorragia, amputação do pénis e, até, morte. No entanto, têm aparecido vários estudos que demonstram eventuais benefícios da circuncisão. Ela diminui o risco de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), incuindo o VIH/SIDA, o herpes simplex, o papiloma vírus e a sífilis. Obviamente, a circuncisão por si não previne as DSTs. A prevenção das DSTs faz-se contrariando os comportamentos de risco. Existem outros benefícios, embora muito relevantes. São eles: a dimunição das infecções urinárias (muito ligeira), das balanopostites (infecção da glande e do prepúcio) e da fimose.

Serão estas razões suficientes para cortar a ‘pelezinha’ à rapaziada? É um tema polémico, ao qual os cirurgiões pediátricos não estão alheios. Em Agosto deste ano, a Associação Americana de Pediatria, emitiu um parecer em que indica claramente que os benefícios da circuncisão neonatal não superam os seus riscos, pelo que não está indicada a circuncisão universal. Mais, diz que cabe aos pais pesar os riscos e benefícios do procedimento e tomar uma decisão sobre a circuncisão do seu filho. A Sociedade Europeia de Urologia Pediátrica vai mais longe. Nas suas guidelines de 2012, a circuncisão infantil acarreta uma morbilidade significativa, pelo que não deve ser recomendada aos pais sem indicação (razão) médica. Nenhuma das posições impede a circuncisão por opção religiosa, desde que os riscos e benefícios sejam claramente explicados aos pais.

NOTA: Para mais informações sobre pénis, prepúcio, fimose, etc., ler também pilinhas I, II, III.

João Moreira Pinto

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