Dicas (e drogas?) para as viagens longas com crianças

Há tempos, recebi um pedido para escrever alguns conselhos para fazer viagens longas com crianças. A Mãe que me escreveu não foi tão explícita, mas, como pai senti que queria saber se poderia dar algum drunf para deixá-los a dormir durante toda a viagem. Poder até podemos, mas será que devemos? A resposta não é tão simples. Por isso, deixo-vos aqui algumas dicas para quem viajar longas distâncias com crianças (a história das drogas ficou como ponto último).

[fonte: smh.com.au]

1. Estar sempre prevenido. Quem viaja com crianças, sabe que existem sempre demasiados imprevistos (um suja a fralda assim que pusemos pés ao caminho, o outro vomita, outro faz febre, etc). Depois, existem os imprevistos inerentes à própria viagem (um furo no pneu, uma ligação de aérea  que se perde, as malas que se perdem) Assim, mais vale ir sempre prevenido. Convém levar na bagagem de cabina (no caso do avião) ou numa mala de acesso fácil (no caso de carro e comboio): duas ou três mudas de fraldas, toalhitas e cremes em quantidade suficientes para os 2 dias e várias mudas de roupa por criança.

2. O mesmo se aplica à alimentação. Dependendo da idade da criança, convém pensar  na eventualidade de não ter acesso fácil ao leite adaptado, às papas de fruta, às sopas raladas, nos dois dias seguintes. Por isso, preparar uma merenda reforçada, para o que der e vier.

3. Beber e oferecer. Seja por causa do ar condicionado dos aviões, seja pelo calor dentro do carro, as viagens predispõem à desidratação. Deve-se por isso oferecer muita água às crianças. (Água não é sumo nem refrigerantes. O contéudo em açucar destes predispõem ainda mais à desidratação.) Mesmo nos bebés amamentados deve-se oferecer água. A água desde que seja potável não precisa de ser fervida.

4. Brincar. Se vamos estar 4 ou mais horas num avião, é bom que tenhamos com que entreter as crianças. Obviamente, a idade da criança vai influenciar nas escolhas. O leitores de DVD e os tablet permitem ver vídeos e até jogar jogos. Os livros também são óptimos e até puxam para o soninho. Mesmo assim, a criança vai se cansar, principalmente se estiver num carro onde nem se pode levantar. Poense em jogos que possam fazer a dois. Aproveite a ‘panca’ do momento. Por exemplo, com o JM temos brincado às somas dos números e a imaginar as formas nas nuvens.

5. Fazer pausas frequentes. O ser humano não foi feito para estar sentado no mesmo sítio durante longos períodos de tempo. Se uma viagem é feita de carro, é importante parar de tempos a tempos (2 em 2 horas ou 3 em 3 horas). Estes momentos são importante para os pais descansarem do volante, desentropecerem as pernas e beberem um café. São também momentos óptimos para as crianças descarregarem as baterias que vão acumulando durante as horas de viagem. Mesmo em viagens de avião ou de combóio, estabeleça metas até à próxima ‘pausa’. Por exemplo, quando chegar à hora X, vamo-nos levantar e lavar a cara; quando passarmos a estação Y, vamos ver quem encontra a primeira motorizada, etc. As crianças funcionam muito bem por objectivos estabelecidos.

6. Medicar para dormir. O sonho de qualquer pai é que a criança adormeça assim que embarca e acorde já no seu destino. Sinceramente, acho que não devemos forçar esse sono por meio de medicamentos. Primeiro, porque vai interferir com as rotinas de sono no local de férias, o que só por si já costuma ser um problema. Segundo, porque vejo as viagens também como uma oportunidade. Uma oportunidade dos pais estarem com os filhos e viverem este desafio de se entreterem mutuamente e estarem quietos durante tanto tempo em conjunto. Mas há pais e pais, crianças e crianças, e eu nao sou fundamentalista. Para aqueles que não aguentam mesmo viagens muito longas existirá sempre a hidroxizina (vulgo Atarax) e o diazepam (vulgo Metamidol). São dois ansiolíticos leves que se costumam prescrever na idade pediátrica. Como todos os fármacos, eles também poderão ter efeitos adversos. Uma pequena percentagem das crianças desenvolve euforia e irritabilidade (o exacto contrário do que se pretende), pelo que aconselho sempre testar uns dias antes, em casa. Não vão querer um destes ataques de euforia no dia da viagem… Ambos exigem prescrição médica, pelo que deverá sempre falar com o médico/pediatra assistente da pertinência da sua toma.

João Moreira Pinto

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *