Ébola – breve explicação para pais

Um dos temas quentes das últimas semanas tem sido o ébola. Tenho visto muitos pais preocupados com este vírus. De facto, o vírus ébola tem uma alta taxa de mortalidade e o facto de dar sintomas demasiados inespecíficos (até à fase em que aparecem as hemorragias, os sintomas são muito parecidos a uma gripe normal) deixa os pais preocupados com uma sensação de impotência perante uma ameaça que pensávamos estar restrita aos países africanos. A verdade é que só existe um caso de transmissão na Europa (a já famosa auxiliar de enfermagem) e, no resto do mundo ocidental, os casos que apareceram são também profissionais que tratavam os doentes. A estratégia da OMS para controlar a epidemia na sua origem parece estar a resultar. Mas pai que é pai (ou Mãe que é Mãe) preocupa-se, pelo que resolvi estudar mais a fundo e (claro está!) escrever uma breve explicação. Eu acredito que ter uma informação clara do que se está a passar é meio caminho para as pessoas ficarem um pouco mais tranquilas.

 
[fonte: huffpost.com]

O vírus ébola provoca uma infecção sistémica (vírica), pelo que tem os sintomas de tantas outras viroses. Inicialmente, febre, fraqueza e dores musculares, dores de cabeça ou de garganta e vómitos. Só mais tarde, como o avanço do processo infeccioso, aparecem hemorragias internas e externas, insuficiência renal e hepática, que são quase sempre fatais.

O vírus ébola transmite-se entre pessoas através do contacto (pensa-se que basta o contacto da pele) com fluídos corporais (sangue, urina, suor, secreções, etc.) de doentes. E esta informação é muito importante. Ao contrário de outras viroses que se propagam entre indivíduos assintomáticos (ou seja que aparentam não estar doentes), o ébola transmite-se quando há contacto com um doente sintomático, isto é, quando o doente apresenta sinais e sintomas característicos da doença (ver no parágrafo anterior). Isto facilita o trabalho das autoridades de saúde, porque (1) o próprio doente que suspeita ter ébola pode isolar-se e evitar contágios (2) todas as pessoas que estiveram com o ele quando ele já manifestada sintomas podem ser estudadas.

Outra característica que facilita o combate ao vírus ébola é o facto do seu período de incubação, ou seja, o tempo que vai desde o contacto com uma pessoa infectada até à manifestação da doença ser relativamente fixo não ultrapassa os 21 dias. Isto permite aos médicos terem a certeza que uma pessoa com sintomas de gripe que não teve contacto com um doente com ébola nos últimos 21 dias não tem ébola. Assim, só deve pensar se você ou o seu filho tem ébola se estas duas condições se verificarem:

  1. Sintomas gripais como: febre, fraqueza e dores musculares, dores de cabeça ou de garganta e vómitos.
  2. Viagem a um dos países afectados nos últimos 21 dias. São eles: Guiné Conacri, Serra Leoa, Libéria, Nigéria e Mali.*.

Se uma destas não se verificar, esqueça. Provavelmente trata-se de uma gripe comum. Não vá para o hospital, porque a gripe trata-se em casa: antipirético, hidratação quanto baste e repouso. Se as duas condições se verificarem, NÃO VÁ PARA O HOSPITAL.É muito importante passar esta informação: se suspeita ter ébola deve ligar para a Saúde 24 (808 242424). O INEM irá buscá-lo a si e ao seu filho a casa com as medidas de isolamento correctas.

 
[fonte: dgs.pt]

Em jeito de conclusão deixo aqui algumas ligações, para quem quiser saber mais sobre o ébola. O primeiro é o explicador do observador. Cada vez gosto mais deste jornal online. É de uma qualidade acima da médica. O El País (espanhol) tem também duas infografias muito interessantes sobre o tema: El ciclo del ébola e Casos y tratamiento de ébola en España. Para informações sobre o ébola em Portugal, a DGS oferece informação técnica sempre actualizada e reponde a muitas perguntas aqui. Por fim, deixo-vos um vídeo produzido pela CNN que, embora em inglês, permite ficar a conhecer o ébola em 2 mintuos.

*A pergunta que algumas pessoas colocam colocam é: como sei que eu ou  um dos meus filhos não tive em contacto com ninguém com ébola que não sabia que não tinha ébola? Primeiro, se não viajaram para fora de Portugal, pode ter a certeza que não teve. Portugal não teve nenhum caso confirmado de ébola. Segundo, se viajaram para fora do país e tem medo que tenha tido contacto com alguém em escala no mesmo aeroporto, não se deve preocupar. Todas as pessoas originárias ou que tenham feito escala nestes países afectados são criteriosamente monitorizadas para sinais de ébola, assim que colocam um pé na Europa. Se houver um caso suspeito de ébola, ele é isolado imediatamente. Não anda a passear pelo aeroporto. Mais, o trajecto dessa pessoa é estudado e todas as pessoas que possam ter contacto com esse doente são avisadas e eventualmente testadas para a hipótese de ter a doença. Se não recebeu nenhum telefonema nos últimos 21 dias, pode ficar tranquilo. As únicas pessoas que devem ficar mesmo preocupadas são aquelas que estiveram elas próprias em países afectados. 

João Moreira Pinto

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