Fotógrafa ajuda pais a terem uma recordação dos cuidados intensivos

Este texto custou a sair. Assim que nasceu, o MM teve que ser internado na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais. Naqueles momentos de angústia e de incerteza, o pensamento era muito nebuloso:  porque não respira bem? porque se cansa? serão os pulmões? será o coração? uma infecção? quanto tempo falta? ele sobrevive? A nuvem cinzenta que se instala na cabeça dos pais, não permite pensar nas fotografias que planeávamos tirar nos primeiros dias de vida. Porque a Mãe o queria ver, lá fui tirando uma ou outra. Mas só nos último dia consegui fazer várias fotografias que partilhei aqui.

A nossa história terminou bem. O MM veio para casa e, apesar de não termos fotografias das primeiras horas. Temo-lo aqui connosco e isso é vale ouro. Mas há casos que não correm assim tão bem. Seja porque os internamentos são muito prolongados, sejam porque acabam na morte dos bebés, há pais que não guardam recordações nenhumas das primeiras horas ou dias de vida do ser recém-nascido. Através desta notícia, fiquei a conhecer a Now I Lay Me Down To Sleep, uma organização sem fins lucrativos que se dedica a fotografar bebés e crianças em situação terminal com a sua família. É uma forma de facilitar o luto de quem perde um filho. Eu não imagino maior dor.

A Jessica Strom era voluntária na Now I Lay Me Down To Sleep, quando se lembrou que poderia extender a sua actividade a fotografar todos os recém-nascidos internados nas Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais, mesmo aqueles que felizmente irão sãos e salvos para casa. No website desta fotógrafa, há fotografias lindas dos bebés que nunca o telemóvel dos pais conseguiria captar. Estes pais ficaram com uma recordação de um momento mais ou menos doloroso das suas vidas, mas que de certo jamais quererão esquecer.

Quem resiste a isto?

João Moreira Pinto

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