Leite: questões comuns

Com tantas opções de leites para lactentes, para antes e depois dos 6 meses, e mais tarde para depois dos 12 meses, enriquecidos com isto e aquilo, torna-se confuso (e eventualmente desnecessário) para os pais tanta informação cruzada. A convidada especialista desta semana é Professora Auxiliar e Chefe de Serviço de Pediatria no Hospital de Braga e na Escola de Ciências da Sáude da Universidade do Minho. É responsável pelas Unidades da Medicina da Adolescência e da Gastroenterologia Pediátrica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga. Tem um currículo demasiado extenso para caber nesta introdução. Seja como for, a Prof. Doutora Henedina Antunes fez um resumo das ideias chave que trasmitiu num dos últimos programas da Sociedade Civil dedicada aos benefícios e eventuais malefícios do leite. Trata-se de um resumo. Para aprofundar o tema aconselho seriamente assistirem ao programa na íntegra. O painel é de grande qualidade.

Leite: questões comuns
Henedina Antues

O leite deve ser o único alimento até aos 6 meses de vida do bebé, de preferência, o leite materno. Se não for possível, o leite 1 (ou leite para lactentes 1) em sua substituição, que é leite de vaca muito modificado para se adaptar as necessidades do bebé. Esse leite tenta ser parecido com o leite da mulher.

Porque é só parecido? Porque não fica com sabores diferentes conforme a dieta da mãe. Porque não se modifica durante a refeição como o leite da mama. Por exemplo, o teor de gordura modifica-se durante a mamada para o bebé ficar saciado e parar de mamar. Por outro lado, a mama não é transparente ao contrário da maioria dos biberons. Por isso, na mama, a mulher tem menos tendência a insistir para o bebé “beber o leite até ao fim”. No biberão os pais não devem cair na tentação de insistir com o bebé para acabar o biberão. Se está saciado é para parar. O bebé ao biberão não tem culpa que o biberão seja transparente. Se fosse a mama não bebia o último bocadinho de leite.

Outra diferença é que ainda não se consegue pôr no leite todos os componentes do leite materno, nem modificar a proteína tanto quando seria desejável para ser igual ao leite de mulher. Em compensação o leite materno tem alguns “defeitos” é pobre em ferro e vitamina D, pelo menos para o padrão de peso dos bebés actuais.

[fonte: agrotec.pt]

Aos 6 meses devem ser introduzidos outros alimentos, mas o leite até aos 12 meses deve continuar o mesmo, materno ou o leite 1. Não é importante mudar para o leite 2 mas pode fazê-lo.

Entre os 12 meses e os 36 meses há leite com mais teor em ferro que se aconselha para os bebés. São leites habitualmente mais doces e mais caros. Não aconselho estes leites até aos 3 anos. Têm algum interesse até aos 2 anos, por causa de serem suplementados em ferro, mas depois é habitualmente difícil tira-los a criança.

  • Em “troika”, gaste o seu dinheiro no leite 1 até aos 12 meses (se não amamentar) e poupe dinheiro para o próximo bebé ter, se necessário, o leite 1. Leite de vaca até aos 12 meses, não, com troika ou sem troika.
  • Após os 12 meses, recomendo o leite meio-gordo em todas as crianças. Depois dos 3 anos, se tiver hipercolesterolemia, pode fazer leite magro. Não dê leite de vaca a substituir refeições de almoço e jantar e não beba leite a estas refeições. Não dê mais de 500 ml de leite de vaca ou produtos lácteos (como iogurtes, etc.) ao seu filho(a) pelo menos até aos 10 anos.
O leite sem lactose é mais caro e as crianças, sem doença comprovada, não beneficiam destas modificações da natureza.

João Moreira Pinto

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