Nós que fazemos a magia do Natal acontecer

Publiquei aqui no blogue o que tentamos que seja nossa tradição no Natal: (1) O presépio é montado sem o Menino Jesus, que aparecerá, como que por magia, na passagem do dia 24 para o dia 25. (2) O Pai Natal (entidade que assumidamente não aprecio) faz uma aparição fantasma depois da consoada, durante uma falha ‘inesperada’ de luz. Ninguém se veste de Pai Natal, mas durante o ‘apagão’ ouve-se um Oh!Oh!Oh! típico e o bater da porta. Quando a luz volta, o presentes estão na entrada. (3) Os Reis Magos percorrem a sala ao encontro do Menino (que entretanto nasceu), chegando ao presépio no Dia de Reis. Todos os dias à noite, vou movendo os Reis sem as crianças se aperceberem, acrescentando mais alguma magia ao fenómeno. (4) Temos ainda um dia para ‘destralhar’, em que roupas e brinquedos são triados para o lixo ou para doação. Esta última, não tem data marcada, mas tentamos que seja logo no início de Dezembro, como que a marcar o início do Advento. É uma atividade que tentamos fazer em família. Eles ficam com mais espaço para os novos presentes e dão o excedente a quem precisa.

Admiro aquelas famílias que conseguem manter as suas tradições natalícias com uma fidelidade impecável ano após ano. Cá em casa acabamos por ser atropelados pela realidade da vida mais ou menos caótica que é criar 3 filhotes.  Os imprevistos até acrescentam piada às nossas quase-tradições. Este ano também me fizeram ver que o nosso segundo bebé está muito crescido. O MM, agora com quase 6 anos, em breve perceberá que a magia do Natal tem a mão escondida dos pais e (desde o ano passado) do irmão mais velho.

A primeira peripécia deste ano foi a procura do Menino Jesus (título giro para uma actividade do Advento). Quando desempacotamos as decorações de Natal, percebemos que nenhum dos presépios tinha o Menino Jesus. Se, por um lado, não tivemos que escondê-los do MM (que ainda acredita em toda a magia do Natal), por outro lado, colocou-nos o desafio de procurá-lo entre gavetas de brinquedos e caixas perdidas no fundo dos armários de entulho variado. De 3 Meninos, acabámos por encontrar 2. O primeiro apareceu na ‘destralhagem’ dumas caixas do MM. Foi ele que encontrou e trouxe-nos o Jesus que ficou à espera do dia 25 para nascer.

Se repararem, atrás temos mais um José e Maria cujo Menino não encontrámos e que segundo o MM agora são pastorinhos. [ver mais no instagram]

A segunda ameaça à tradição doméstica aconteceu na consoada. Um familiar sénior (cuja entidade manterei anónima) todos os anos acrescentava realismo à encenação do Pai Natal. Como ele próprio era apanhado despercebido pela falha súbita de luz, lançava o alerta mais genuíno para ninguém se mexer até ele ir ao quadro restabelecer a eletricidade. Este ano, não sei bem porque carga d’água, o elemento não identificado deu o alerta antes sequer de eu deitar intencionalmente a luz abaixo. Por sorte, o MM quis esconder-se antes que a luz fosse abaixo, porque tinha medo do Pai Natal: correu para o sofá e tapou a cara com uma almofada. Assim, eu e o ‘duende’ JM, conseguimos deixar os presentes na entrada sem que os seus irmãos mais novos se aperceberem do engodo que é o Pai Natal.

Finalmente, como no domingo, Dia de Reis, estive de urgência, saí apressado e não concluí a última etapa da caminhada dos Reis Magos até ao presépio. Cheguei a casa muito tarde e voltei a esquecer-me dos Reis. Mas de manhã, o MM aponta para o presépio e diz. «Já viu onde estão os Reis?» Eu, vendo-os já no presépio a adorar o Menino: «Ah! Pois é. Ontem foi Dia de Réis. Chegaram ontem?» Responde ele: «Sim, fui eu que os pus lá.» Fiquei feliz por ele ter a iniciativa. Somos nós que fazemos a magia do Natal acontecer e ele já percebeu isso. Dei-lhe um abraço e fomos para a escola.

A Família Sagrada recebe os Reis Magos. Arranjo artístico de MM, quase 6 anos.

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João Moreira Pinto

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