Novidades Bexsero e outras vacinas extra-plano

Com a confusão dos últimos meses, fui adiando este texto que suponho ser do interesse da maioria dos leitores do blogue. Saiu uma nova recomendação da Sociedade Portuguesa de Pediatria sobre vacinas. Existem algumas novidades importantes em relação às as vacina ‘extra-plano’, ou seja, aquelas que não fazendo parte do Plano Nacional de Vacinação (PNV). têm que ser os pais a decidir se devem vacinar os seus filhos e a pagar se assim o desejarem. Fiz um resumo das recomendações principais.

  • Sobre a Bexsero® (Vacina contra Neisseria meningitidis serogrupo B), a vacinação é recomendada a todas as crianças dos 2 meses aos 2 anos, nos esquemas já disponibilizados aqui. A vacinação das crianças mais velhas passa a ser apenas recomendada se existirem fatores de risco para doença invasiva pelo meningococo (défices do complemento, asplenia, tratamento com imunossupressores) ou se houver necessidade de controlar um surto doméstico ou da instituição de acolhimento/internamento.
  • Ainda sobre a Bexsero®, e para minimizar os efeitos secundários mais frequentes como a febre e dor local (queixa frequente dos pais), a comissão de vacinas da SPP recomenda a administração de paracetamol.
  • Sobre a vacina contra o HPV (Gadarsil®), que já está incluída no PNV mas apenas para as raparigas (apartir dos 10 anos de idade), a comissão de vacinas «recomenda, a título individual, a vacinação dos adolescentes do sexo masculino como forma de prevenir as lesões associadas ao HPV.» Razão principal «a carga da doença por HPV é relevante no sexo masculino e não existem rastreios implementados para a prevenção dos cancros associados a HPV (leia-se ânus, do pénis, da cabeça e pescoço), pelo que a forma de reduzir individualmente o risco de doença, para além da proteção indireta (leia-se preservativo e/ou abstinência), é através da vacinação».
  • Sobre a vacina contra o rotavirus (Rotateq® e Rotarix®), «a comissão de vacinas mantém a recomendação de vacinação de todas as crianças saudáveis», mas reforça «a monitorização da epidemiologia da infeção por RV, da efetividade e dos efeitos secundários das vacinas deve continuar.» Como já esclareci aqui, o risco aumentado de invaginação preocupa-me..
  • Sobre a vacina contra a varicela (Varilrix®, Varivax®), a «comissão de vacinas não recomenda vacinação de rotina de crianças saudáveis fora de um programa nacional de vacinação.» Mas, no caso de adolescentes sem história prévia de varicela, deve-se vacinar, porque a doença pode ser mais grave. O mesmo acontece para crianças que contactam habitualmente com doentes imunodeprimidos, para protecção destes últimos.
Porque estes são temas levantam sempre muitas dúvidas, recomendo vivamente a leitura cuidada do documento emitido pela SPP. Podem descarregar aqui. E, já agora, deixo o esquema do PNV actualizado.

João Moreira Pinto

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