O piolho – esse bichano tabu

Hoje estreamos uma nova rúbrica neste blogue. Para já, chamemos-lhe Convidados Especialistas. São convidados especiais que são também especialistas em áreas que não domino, mas que me parecem ser do interesse geral. E começamos da melhor forma com a Dra. Vânia Machado, que nos escreve sobre pediculose (os famosos piolhos). A Vânia é pediatra, mãe da Sofia (10 anos), do Pedro (6 anos) e do João (4 anos). Trabalha no Hospital de Braga e desenvolve a sua actvidade privada no SAMS Braga e no Hospital Privado de Braga. Dedica-se à Pediatria Geral e tem-se especializado em Alergologia Respiratória. Tem um blogue: Ecos de Cigarra da Mamã Formiga.

O piolho – esse bichano tabu…
por Vânia Machado

No corre-corre das rotinas da semana dos pequenitos, surgem pequenas atribulações – ainda bem que pequenas – que nos podem dar grandes canseiras. Uma delas é quando as suas cabecitas bem lavadas se tornam residência temporária de parasitas indesejados: os piolhos.

No imaginário materno, meninos com piolhos é sinónimo de meninos indigentes, famílias com parcos hábitos higiénicos, escolas insalubres.  Pois bem: atualmente o piolho aumentou o grau de exigência, ou antes, é lhe indiferente para que cabeça vai, desde que tenha cabelos… Por isso não se admirem se vier um recadinho da escola para examinarem as cabeças dos filhotes, nem o considerem ofensivo: acontece. O que importa nesses momentos temidos é não entrar em pânico, entrar antes em ação.

Primeiro, inspecionar cuidadosamente o couro cabeludo, com especial atenção na coroa da cabeça, nuca e atrás das orelhas. O piolho é perito em jogar às escondidas, e é necessário observar bem com luz do dia, perto de uma janela, mecha a mecha de cabelo. Se há um, há muiiitos… Se observarem pintinhas brancas, para ter a certeza que não é apenas uma caspinha, segurar o cabelo e tentar retirar: se estiver à solta não é lêndea, esta agarra-se bem ao fio. O ideal é fazerem uma breve pesquisa na internet para verem imagens dos ditos, para não escapar nenhum… Quando se identificarem os bichanos, segue-se uma corrida à farmácia para adquirir os apetrechos necessários para a sessão ghostbuster.

 

[fonte: queda-cabelo.com]

Atualmente o piolho habituou-se às desinfestações, pelo que não morre com qualquer mistela. Os produtos mais adequados têm na sua composição compostos que asfixiam o bichano (óleos), e que impedem que as suas patitas se agarrem ao cabelo, não sendo tóxicos para a criança: eles são o Itax, Paranix, Lipuk, Poux. Os mais práticos apenas necessitam de atuar em 15 min; convém verificar se trazem pentes com dentes metálicos (os de plástico não são tão eficazes).

Após a aplicação e durante o tempo de espera, convém explicar à criança o que se passa, sem assustar: tem uns bichinhos na cabeça que não fazem mal mas que se não se tirarem vão dar muita comichão (a verdade é que nem sempre dão, e não se fiem que o vosso filho não tem piolhos porque não coça a cabeça!).

As mais impressionáveis, podem colocar umas luvas e touca na cabeça. Confesso que só o fiz quando tratei do meu filho do meio, há 2 anos; desta vez foi mesmo com as mãos, apenas com o cabelo preso (é claro que convém aplicarmos também o produto, e no resto da família; se os restantes elementos não estiverem infestados, basta um produto à base de óleos repelentes, como o Nice n Care da loja Celeiro). Depois deve-se lavar bem, enxaguar e enxugar a cabeça.

O passo seguinte exige uma boa dose de paciência, tanto para a mãe como para a criança: o ideal é sentarem-se ambos no chão, entretendo o filhote com um livro, ter um recipiente para colocar os restos mortais dos bichanos, uma toalha clara para ir limpando o pente e lenços de papel. À medida que se vai separando o cabelo por secções, segurar o pente com firmeza e retirar os parasitas, sem se assustar com a quantidade deles, a maioria só se torna visível quando morre…Este processo dura cerca de uma hora… E deve ser repetido após uma semana. (Nos dias que se seguem após o banho convém retirar os restos de lêndeas e piolhos mortos).

Por fim, lavar bem os utensílios com água quente, a roupa que a criança vestia e chapéus podem ser lavados na máquina a 60 º. Não é necessário uma limpeza frenética de toda a roupa da cama e da casa, para sobreviverem os piolhos necessitam de cabelo, morrendo logo que o largam.

Para finalizar, 3 conselhos: um mimo extra no vosso cabelo (os produtos em cabelos pintados podem danificar o aspeto, e deixam o cabelo ressequido); evitar pensamentos obsessivos sobre o piolho (os produtos referidos são muito eficazes); o vosso filho pode coçar a cabeça nos próximos dias pela irritação do couro cabeludo provocada pelos produtos, mas informar na escola sobre o vosso achado (não é obrigatória evicção escolar após a desinfestação, mas se puderem que o vosso filho não vá um ou dois dias enquanto o problema dos outros se resolve…).

João Moreira Pinto

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