O(a) Hipospádia(s)?

Os hipospádias são muito frequente. Estima-se que um em cada 250 meninos nascidos têm esta malformação do pénis. Ainda assim, é uma patologia que dá muita discussão. Começa logo na nomenclatura: será ‘o’ hipospádias ou ‘a’ hipospádias? De facto, ‘a’ hipospádias é uma malformação, mas, apesar de muitos médicos e doentes se ferirem ao hipospádias no feminino, os cirurgiões pediátricos referem-se a lele como o hipospádias. No Brasil, os cirurgiões tratam-na por ‘a hipospádia’ (no singular).

Depois, diz-se que a sua incidência está aumentar, principalmente no mundo ocidental. Seria da alimentação, dos pesticidas, dos contraceptivos orais? Tentou-se relacionar tudo com o aumento de diagnósticos de hipospádias no mundo desenvolvido, mas nenhum estudo conseguiu provar essa relação. Há quem diga que este aumento de incidência apenas reflecte a maior atenção dos médicos assistentes para esta patologia.

O hipospádias é uma malformação da uretra, que é o tubinho que traz a urina da bexiga até à ponta da pilinha dos meninos. Nos hipospádias, a uretra acaba mais cedo do que devia, pelo queo orifício de saída fica na face anterior do pénis. Pode acabar mais tarde (quase na pontinha) ou muito cedo (ainda no escroto). Quanto mais curta for a uretra, maior encurvamento terá o pénis. O prepúcio (a pele que recobre o pénis) fica aberto a meio, mas nos casos muito distais pode ter uma conformação quase normal. Daí, poder passar despercebido à nascença.

[fonte: bapras.org.uk]

A controvérsia continua na hora de operar. Existem muitas técnicas para a correcção do hipospádias. A cada artigo que sai, uma é melhor que outra. Há quem faça a reconstrução da uretra, do pénis e do prepúcio num só tempo, há quem faça em vários. Há quem reconstrua o prepúcio, há quem faça circuncisão. Há quem defenda operar antes dos 6 meses, outros que só lá para os 5 anos. A Sociedade Europeia de Urologia Pediátrica (ESPU) recomenda que a correcção seja feita entre os 6 e os 18 meses de idade. A minha experiência diz-me que nem todos são iguais. Cada caso é um caso e alguns beneficiam se crescerem mais um pouco.

João Moreira Pinto

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