Piscinas e natação (III)

Qualidade da água das piscinas
Bernarda Sampaio

Antes de optarmos entre piscina água doce/salgada, convém nos apercebermos que o mais importante é o controlo da qualidade de água, na salvaguarda da saúde pública, minimizando as reações alérgicas e orgânicas (dermatoses, otites, sinusites, conjuntivites, micoses) e o desenvolvimento de doenças transmitidas pela ingestão de água com microorganismos patogénicos (subprodutos da desinfeção, toxinas e micropoluentes orgânicos).

O controlo da qualidade da água requer uma acção integrada a diferentes níveis:

  1. tratamento da água, incluindo filtração e desinfeção para remover ou inactivar microorganismos ou substâncias em suspensão
  2. da capacidade hidráulica do tanque, de modo a remover as massas contaminadas pelos utentes e permitir uma distribuição homogénea do desinfectante residual
  3. renovação frequente da água
  4. limpeza de superfícies, para remover os sedimentos depositados no fundo e os biofilmes das paredes.
[fonte: hellomagazine.com]

Os parâmetros de qualidade a serem medidos são o ph, a turvação, o teor de desinfectante residual e a temperatura, a cada 6h. Os parâmetros microbiológicos e químicos das piscinas públicas devem ser avaliados quinzenalmente. A temperatura deve ser próxima dos 24ªC para adultos e 26ºC para as crianças, mais que 29ºC causa desconforto e favorece o crescimento microbiológico. A concentração de desinfectante residual varia com o tipo de produto utilizado. A desinfecção da água pode ser efectuada através de meios físicos (ultravioletas), meios químicos (cloro, bromo, ozono) ou através da Ionização electrolítica – a água atravessa um tambor onde estão eléctrodos que a bombardeiam com iões de prata e cobre. A desinfeção com produtos clorados pode ser efectuada através de cloro gasoso, hipoclorito ou por salinização, que permite a obtenção de cloro por processos naturais. No entanto todos estes processos alternativos necessitam da adição mínima de uma concentração residual de desinfectante (bromo ou cloro).

Os estudos que associam o efeito nefasto do uso de produtos clorados a  maior risco de bronquiolite ou agravamento de asma/doenças alérgicas em crianças quando comparados com o uso de outros produtos na desinfeção ainda necessitam de ser mais fundamentados. No entanto é sabido que quanto menor for a concentração residual em cloro, mas dentro dos valores considerados apropriados para a correcta desinfeção da água, melhor, pois minimiza as reações alérgicas tópicas. Actualmente os defensores do uso de piscinas de água salgada assumem que as grandes vantagens são a redução no uso regular de químicos tóxicos, a inexistência do desagradável odor a cloro, pois a desinfeção é por salinização e a mais frequente renovação da água.

Penso que por tudo o exposto o que devemos reter é que o mais importante é a qualidade da água e a prática correcta das medidas de higiene preconizadas, como duche antes da entrada na piscina, uso de touca, uso de fraldas impermeáveis e limpas em crianças sem continência de esfíncteres, lavagem de mãos após ida à cada banho ou muda de fraldas e não frequência na piscina em caso de doença.

Use a piscina para fins recreativos com os seus filhos, divirta-se e divirta-os a eles, mas sempre tendo em atenção os perigos relacionados.

João Moreira Pinto

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *