Presentes, educação parental e talões de troca

Por aqui, dificilmente verão posts sobre roupas de crianças, pela simples razão de ser uma temática que me é completamente alheia. De quando em vez, compro uma t-shirt para o mais velho ou um ‘fato-de-macaco’ para o mais novo, como lembrança de quando vou para fora. Fora isso, roupas é com a Mãe. É com a Mãe a roupa do pai e dos filhos.

Quando há presentes para oferecer, é também com a Mãe as roupas dos filhos dos outros. Mas,se a oferta é um brinquedo, a árdua tarefa cabe-me a mim. E, digo-vos, coloco todo o afinco nessa missão. Primeiro, faço uma história clínica breve: idade, sexo, antecedentes pessoais e familiares, gostos e teimosias recentes.  Depois, uma pequena sondagem aos doentes do consultório com idades aproximadas. Finalmente, visitar a Toys”R”Us e perder-me no meio de tantos brinquedos, gadgets, jogos, bonecada, etc.

Contudo, esta minha rotina de anos sofreu recentemente uma alteração de rota. Porquê? Há dias, pedi uma factura na Toys”R”Us e fiizeram-me perder quase meia-hora. Deram-me o talão de compra para ir ao balcão de informações, onde, para atender o meu pedido,ligaram um computador que funcionava a carvão, registaram os meu dados (nome, morada, NIF) e, só depois, me deram a factura. Já não tenho paciência para estes entraves a que uma pessoa peça factura.

Na mesma visita ao shopping, fui à Fnac. Vi uma data de brinquedos educativos, para além dos habituais videojogos, livros, DVDs de desenhos animados, CDs de música infantil, etc. Comprei o que tinha de comprar, factura descomplicada e, no final, a pergunta que me iluminou: “Quer um talão de troca?” De repente, imaginei o monte de brinquedos que o JM recebeu no Natal (alguns ainda por abrir) transformados em talões de troca da Fnac. Imaginei o JM a brincar com os últimos dois carrinhos que lhe deram no aniversário (eventualmente também com a pista de carros) e tudo o resto que ignorou transformado em livros, DVDs e futilidades tecnológiicas para o pai. E lembrei-me a felicidade dos pais dos outros a desembrulhar pacotes e pacotes de prendas e em cada uma delas saltar um talão: para a capa do telemóvel, para a lente nova da máquina fotográfica, para um ou dois livros, para música…

[fonte: behance.net]

Assim, a busca do presente ideal passou a incluir uma visita prévia à secção de crianças da Fnac. Não tem nem de longe nem de perto a oferta da Toys”R”Us, embora ela tenha vindoa a aumentar substancialmente. Não pensem que é egoísmo ou um conluio entre pais do mesmo sexo. As crianças deveriam dar mais valor ao que têm e lhes oferecem. Abrem um presente. Vem a excitação da novidade. Encosta para o lado, assim que chega mais um convidado. Não deu tempo para tirar o plástico e já esqueceu. Um excesso de ofertas pode torná-las materialistas, caprichosas e mimadas (no mau sentido). Por isso, por cada embrulho da Fnac que vos chegue a casa, guardem o talão de troca. Quem sabe não virá aí uma excelente oportunidade de educação parental… Com benefícios para ambos.

João Moreira Pinto

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