Segredos para se manter em forma durante a gravidez

A história deste post começou no primeiro trimestre de gravidez Mãe-MM, ou seja, há pouco mais de um ano. A Mãe engordou um bocadinho demais durante a gravidez do JM (se traduzir aqui para kilogramas, ela mata-me). Por causa de uma greve de enfermagem, a cesariana foi feita pelo Dr. Cláudio Tomé Rebelo que estava de urgência. O Cláudio é um amigo dos tempos da faculdade, é pai do Pedro (4-quase-5 anos) e da Teresa (3 anos) e, como perceberão pelo texto que escreveu, tem uma forma de pensar e de ‘falar’ parecida com a minha. A obstetra que acompanhou a gravidez do JM, a Dra. Fernanda Caiano , foi sempre impecável connosco, muito profissional, tranquilizadora, uma amiga (de resto, continuo a recomendá-la a amigas e mães). Mas a simpatia e disponibilidade do Cláudio e o facto de dar consultas perto de nossa casa (na Medicil Porto*), fez com que optássemos por ele para seguir a gravidez do MM. Consciente do desvio de força gravitacional (vulgo peso) por que passou a Mãe na primeira gravidez, o Cláudio decidiu cortar o mal pela raiz na segunda. O discurso/puxão-de-orelhas/coaching que o Cláudio fez foi delicioso, porque foi motivador e, mais importante do que isso, resultou. De facto, a Mãe chegou com um corpo invejável no final da gravidez (aqui já posso dizer que engordou 10 kg). Pedi-lhe para verter aquele discurso para um texto. Eis o resultado.

Segredos para se manter em forma durante a gravidez
Cláudio Tomé Rebelo

A frase “sr. Doutor, mas eu tenho muita fome” dita pelas grávidas obriga-me sempre a retorquir “tem apetite, fome têm as crianças em África…”.

De facto a nossa espécie evoluiu perante a adversidade da escassez dos alimentos e agora (nos países desenvolvidos) debate-se com o problema da abundância e das doenças por ela causada. E a grávida? Ninguém informa a placenta das nossas grávidas que está em Portugal em 2013.

Ao contrário das avós e bisavós das gravidas de hoje que só tinham acesso à broa de milho ou centeio, à sopa, aos legumes e à fruta da época, nós temos agora a geração do Pão Quente (farinha de trigo refinada, fermentada, congelada) descongelado e cozido a cada hora que passa. Os biscoitos e biscoitinhos e respectivas prateleiras dos hipermercados. Todas as frutas possíveis e imagináveis. Os chocolates “recheados” com caramelo ou com mousse e os pasteis de nata “recheados” com chocolate.

Torna-se assim quase impossível esperar que a placenta perante toda esta felicidade calórica não aumente o apetite das nossas grávidas para assim aumentar a gordura de reserva. Sim, a placenta não pode adivinhar se na próxima semana vem a seca, as chuvas diluvianas ou outra desgraça que faça desaparecer os nutrientes disponíveis ao Bébé.

A placenta já cá andava e ainda não existia “O Açúcar”, não existia conservação de alimentos, não existiam refrigerantes ou pastelarias. Como culpar então as grávidas por cada Kilo do aumento de peso, pelas taxas de diabetes gestacional, pelas estrias e aventais abdominais, quando vivemos numa sociedade que criou o termo “desejos” para as desculpar?

Habitualmente aconselho a simples Regra de Seis às grávidas para que tudo decorra pelo melhor.

  • 6 refeições – pequeno almoço, meio da manha, almoço, lanche, jantar e ceia.
  • 6 proibidos – bolachinhas, doces, arroz e batata no mesmo prato, refrigerantes, molhos, fritos
  • 6 “amigos” – legumes e verduras, sopas sem batata nem massa, iogurtes, fruta (maça, pêra, laranja), água, cereais (pão escuro, fibra)

Tudo isto nos 6 dias da balança do Obstetra, 1 dia por semana de folga para as “loucuras” da grávida… Adicionar Actividade Fisica regular (as caminhadas diárias) e só assim vamos conseguir os desejados 10-12kg e a manutenção ou perda de peso nas grávidas obesas…

É uma luta diária para que no fim da caminhada elas orgulhosas possam aparecer às amigas “enfiadas” nas calças de ganga justas e as outras exclamem “é impossível que tenhas sido mãe há menos de um mês” – essas invejosas.

A Mãe e MM com 31 semanas de gestação.
[créditos fotográficos: soniabritophotography.com]

* O Dr. Cláudio Tomé Rebelo é ginecologista-obstetra no Hospital Pedro Hispano (Matosinhos). Tem consultório na Medicil Porto e na  Clínica Central da Areosa, mas opera no Hospital CUF Porto e na Casa de Saúde da Boavista. Tem-se diferenciado em Endometriose, Oncologia Ginecológica, Obstetricia em mulheres com comorbilidades (hipertensão arterial, doenças autoimunes, trombofilias, maus antecedentes obstétricos, Cirurgia laparoscópica e minimamente invasiva.

João Moreira Pinto

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