Tê-los no sítio II

Existe uma entidade bem mais frequente que a criptorquidia. É muitas vezes confundida com esta, mas raramente precisa de cirurgia. Trata-se do testículo retráctil. Ao contrário do que acontece na criptorquidia, nestes casos o testículo chega à bolsa escrotal, mas foge assim que é estimulado (pelo frio ou pelo toque). Tal deve-se ao reflexo cremastérico – o mesmo que faz com que os testículos ‘mirrem’ quando os pais mergulham na água fria do mar. Qualquer estímulo sensitivo no escroto ou na sua proximidade leva à contracção reflexa do músculo cremáster. Este músculo reveste todo o cordão espermático e o respectivo testículo, sendo responsável pela subida deste. Como ele é pouco desenvolvido até aos 2 anos de idade, é frequente os pais referirem que o menino «já os teve no sítio».

A boa notícia é que a maior parte destes testículos crescerão e voltarão a ficar permanentemente na bolsa, assim que a criança atingir a puberdade. Até lá, é necessária uma vigilância regular, pois alguns deles (7%) deixarão de vir à bolsa. Se cirurgião pediátrico ou o pediatra deixarem de conseguir trazê-lo até ao escroto significa que o testículo ‘retraiu’ e se comporta agora como uma criptorquidia, pelo que precisa de ser fixado cirurgicamente.

João Moreira Pinto

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *