Três sinais de alarme na mudança da fralda: dor, rubor, tumefacção.

Ao rever os temas médicos já abordados aqui no blogue, apercebi-me que tenho alguns temas em falta. Um deles, e que dá muitas dores de cabeça aos pais, principalmente de rapazes, é o abcesso perianal. Um bolinha vermelha muito dolorosa que surge na margem do ânus dos bebés. É uma doença bastante comum nos primeiros meses de vida. Estima-se que até 4,3% dos lactentes passem por um episódio destes. O abcesso perianal da criança deve-se a uma infecção de umas glândulas que temos no ânus (mais especificamente nas  criptas anais). Não se percebe ao certo porque é que algumas crianças têm mais tendência a fazer abcessos perianais que outros. Pode ter haver com uma maior profundidade das criptas anais ou algum excesso de androgéneos, o que justificaria o maior predomínio na população masculina. Não é um caso de falta de higiene dos pais, como já uma vez ouvi.

 

Criptas-Anais

[fonte: derival.com.br]

 

Apesar de ser uma doença desconfortável para o bebé, o abcesso perianal pode ser controlado sem cirurgia. Se for detectado precocemente, e ele aparece como um ponto vermelho, saliente e doloroso à volta do ânus, pode ser controlado com antibiótico oral e/ou de aplicação local. Por vezes, principalmente se o início do tratamento for mais tardio, pode ser necessário antibioterapia endovenosa e drenagem cirúrgica do abcesso. Por isso, convém estar a atento na mudança da fralda por estes sinais: dor, rubor, tumefação.

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[fonte: springer.com]

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A complicação mais frequente do abcesso perianal é a fístula perianal. Quando o abcesso  drenado cirurgicamente ou drena espontaneamente pela pele, cria-se um trajecto entre a tal cripta anal e a pele. Este trajecto pode ficar aberto durante meses e com saída de muco. Felizmente, e ao contrário do que acontece nos adultos, a fístula perianal do lactente tem tendência a fechar espontaneamente. Como se percebe, a fístula perianal da criança é muito diferente da fístula perianal do adulto ou do adolescente. Estes últimos existem um estudo diferente e que visa despistar a existência de uma obstipação ou doenças inflamatórias intestinais, como a Doença de Chron. No caso, das crianças, principalmente abaixo do ano de vida trata-se de uma situação benigna que resolve sem deixar sequelas.

 

João Moreira Pinto

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