Uma ideia menos materialista para a fada dos dentes

Caiu o primeiro dente de leite (aka deciduo) ao JM. Fomos colocados pela primeira vez perante a problemática da fada dos dentes… Não sei se se lembram, mas eu não gosto do Pai Natal. É uma mentira e compete o espaço festivo com valores altos que para mim são mais importantes. A fada dos dentes também é uma mentira (juro), mas não interfere com nenhuma tradição mais nobre (que eu saiba, pelo menos). De modo que, por estes dias, fizemos um exercício de fantasia.

Quando o dente, que desde há uma semana abanava, decidiu finalmente saltar fora, eu não estava em casa. A Mãe prontificou-se a noticiar o ‘suicidio dental’ por MMS e eu fui para a Internet (oh! fonte de todo o conhecimento) à procura de surpresas, tradições e tipo de presentes que era suposto a fada dos dentes oferecer. Decidi fazer uma súmula do que li. Eis aqui os 5 presentes que a fada dos dentes pode deixar debaixo da almofada.*

1. Dinheiro. É o clássico, mas arriscado. Quanto dinheiro se deve dar por um dente? 1, 2, 5 euros? Será que o nosso filho vai dizer quanto recebeu? Comparar com os valores que a fada dos dentes dá pelos dentes dos amigos? Haverá uma bolsa de valor dentário? Uma criança tão pequena deve ter dinheiro ou adormecer e acordar a pensar em dinheiro (ainda que uma só noite)? Não acham que as nossas crianças já são empurradas para o materialistmo que chegue?

2. Escova dos dentes. Outro clássico, mas aqui castigador. Coitada da criança que esperava ganhar o dinhero do ponto 1. Pior ainda: transfere-se a autoridade de mandar lavar os dentes para uma entidade mística. Na minha opinião, bad parenting. Mas como não sou radical em nada, admito que alguns pais e/ou alguns miúdos precisem desta surpresa da fada dos dentes.

3.  Certificados. Podem vir a acompanhar os dois anteriores. O dente é avaliado quanto à sua qualidade de preservação. Há quem sugira um esquema de remuneração segundo esta avaliação. Pode ser desenhado um esquema dos dentes, onde se vão assinalando ‘as baixas’ com as correspondentes datas. Pareceu-me algo complexo e demasiado prolongado no tempo, para o nosso nível de (des)organização. Ainda assim, uma boa ideia.

4. Dente por dente. Num artigo da Time. Li que uns pais resolveram trocar os dentes dos filhos por dentes de outros animais. Uma forma gira de darem lições de zoologia às crianças… A não ser que trabalhem num jardim zoológico, a brincadeira pode sair cara.

5. Notas ou moedas estrangeiras. No mesmo artigo da Time, a sugestão que nos pareceu mais espectacular. O dinheiro (que,quer se queira, quer não, já entrou no imaginário e na expectativa da pequenada) vem na forma de moeda estrangeira. Mais, apesar de envolver dinheiro, esta ideia tem pouo de materialista. Resolve-se o problema do valor que é dado por um dente, porque a criança não sabe o real valor daquela nota ou moeda. De facto, é barato, porque conseguem-se notas estrangeiras facilmente (viagens anteriores, amigos, familiares) e com valores muito baixos (por exemplo a nota de 1 dolar americano). Depois, fica a ideia que a fada veio de outros países para o visitar. Mais importante ainda, a criança fica a sonhar com um mundo inteiro por descobrir.

Para nós, a escolha foi fácil. Uma nota de 20 bahts tailandeses (vale pouco mais do que €0,50), que guardávamos desde a nossa lua de mel. O JM adorou. Quando lhe mostrámos no mapa quão longe era a Tailândia, os seus olhos brilhavam. Sei que contou aos seus amigos. «E eles?», perguntei. «Que soooorte. 20 euros tailandeses…»

 
[fonte: leftovercurrency.com] 

*a almofada ou uma pequena saquinha pendurada na cabeceira da cama tem sido o modelo de entrega preferido, mas não é o único. Vejam este sistema de vácuo inventado por este pai engenhocas.

João Moreira Pinto

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